EMBARQUE DO PRIMEIRO CONTINGENTE GAUCHO DO BATALHAO DE SUEZ FAZ 50 ANOS
Extraído de: zerohora Abril 16, 2009
Soldados tinham missão de supervisionar o cessar-fogo entre as forças egípcias e israelenses depois da Guerra do Suez

Priscila De Martini | priscila.martini@zerohora.com.br Era 17 de abril de 1959, quase 50 anos atrás, quando Remy Eloy Schmidt, Valdemar Franco e outros 260 gaúchos embarcaram na aventura de suas vidas. A bordo do navio Ary Parreiras, da Marinha, e depois em um trem militar, viajaram por 35 dias passando por portos de três continentes até chegar a Rafah, na Faixa de Gaza. Quando colocaram os pés no Oriente Médio, fizeram história: vestiram o capacete azul e passaram a integrar o Batalhão de Suez, no primeiro contingente gaúcho em missão de paz das Nações Unidas.Depois de viver dias agradáveis em todas as paradas da viagem - Rio, Recife, Dacar, Nápoles e Porto Said -, foi ao avistar as areias do deserto que o nervosismo de Schmidt e muitos colegas começou. O fato de terem se apresentado como voluntários - soldados na ativa não participaram da missão - para atuar em um ambiente hostil passou a pesar, mesmo que a certeza da decisão continuasse.- Servir o país no Exterior era o sonho de qualquer jovem na minha época - recorda Schmidt, 69 anos.O Batalhão de Suez existia desde 1956, como parte de uma força de emergência da Organização das Nações Unidas (ONU). O objetivo era supervisionar o cessar-fogo entre as forças egípcias e israelenses depois da Guerra do Suez. O trabalho era basicamente ficar em postos de observação ao longo da linha de demarcação - com um calor de 50º durante o dia - e fazer patrulhas em noites em que a temperatura chegava a 0ºC.- Havia moscas, moscas e moscas. Precisávamos usar redes nos capacetes - lembra Schmidt.Os dois contingentes, de Estados diferentes, eram divididos em quatro companhias. Schmidt e Franco, por exemplo, não atuaram juntos. Eles dormiam em barracas de lona no meio do deserto, perto de seus postos de observação, rodeados por trincheiras feitas com sacos de areia e cercas de arame farpado. Dali, só saíam em ocasiões especiais. Uma delas agradava muito a Schmidt, para fugir da monotonia. Ele conta que frequentemente pegava carona em um veículo do comando brasileiro e ia até uma sala de cinema disponibilizada pela ONU, onde os últimos sucessos de Hollywood estavam em cartaz. Havia, também, dias de folga em que eles podiam viajar.A missão gaúcha não enfrentou ocorrências graves, mas Schmidt lembra que a tensão era constante:- Estávamos entre dois polos: de um lado os israelenses, com patrulhas terrestres, e do outro os árabes, que se escondiam.Além disso, eles tinham muito medo de minas terrestres. O principal adversário, porém, era a saudade de casa - diminuída com correspondências que chegavam em um voo semanal. Os colegas de companhia ficavam tão ligados um ao outro que chegavam a trocar as cartas. Desde que voltaram, em agosto de 1960, muitos ainda mantêm contato. No sábado, o cinquentenário será comemorado com pompa: será realizada uma festa no Clube do Professor Gaúcho, em Porto Alegre.- Foi muito gostoso, gostaria de ir de novo - afirma Franco, 71 anos.
Autor: Vinculado ao zerohora